As Redes da Vida

Enraizamento Comunitário, Conversa com o Sociólogo Domingos Armani.
“As redes da Vida”
Uma das referências mais instigantes nesta área são as reflexões de Fritjof Capra, que postula a similaridade entre as “comunidades ecológicas” ( os ecossistemas) e as comunidades humanas. Ele indica a necessidade de compreendermos como funciona a organização da vida na natureza para aplicar seus princípios à organização da vida social. já que ambos sistemas vivos, cuja semelhança estaria em cinco princípios básicos: Interdependência, reciclagem, parceria, flexibilidade e diversidade.
Partindo desta indicação de Capra, são apresentados abaixo alguns significados possíveis destes princípios quando aplicados ao fortalecimento institucional de uma organização social, em especial aquelas do tipo rede.
A interdependência diz respeito ao fato de que todos os integrante de uma comunidade ecológica estão emaranhados numa complexa rede de relação, da qual deriva sua identidade, havendo uma forte correlação entre a parte e o todo. Em um organização social isto implica uma visão sistêmica da dinâmica organizacional, pela qual o cuidado, a nutrição e o fortalecimento destas múltiplas relações se tornam condição de identidade e de sustentabilidade.
A reciclagem se refere a que os processos biológicos são cíclicos, com fluxos de retroalimentação que liberam e absorvem nutrientes de forma continua e recíproca. Para as organizações, isto representa o desafio de fazer com que os elos e articulações estruturais com o meio social circundante sejam forte de energia vital.
A parceria estabelece o princípios pelo qual há uma tendência à associação, a formar vínculos e ao enredamento, levando os organismos a cooperar para favorecer a vida. Nas organizações e redes sociais isto expressa o desafio à articulação, à ação conjunta e à sinergia com outras iniciativas como parte de ser sujeito social.
A flexibilidade nos ecossistemas deriva de suas múltiplas interações, fazendo com que haja uma tendência de busca do equilíbrios sempre que houver variações nas suas condições normais de existência.
Por fim, a diversidade tem a ver a própria estrutura em rede dos sistemas vivos, a qual abriga muitas espécies (biodiversidade) quando mais diversa uma comunidade, mais elástica e adaptável ela será em relação às perturbações do sistema. Para uma rede social isto significa que a diversidade deve ser tratada como fonte de riqueza, de complementaridade e de aprendizagem organizacional, sempre que houver um intenso enredamento interno que ponha todo/as em interação com todo/as.

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